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Toda crise é ruim para quem é grande, mas pode ser muito boa para quem é pequeno – Parte II

Nesta segunda parte da entrevista de Paulo Oliveira à revista Comunhão, veremos seu ponto de vista, repleto de experiência e conhecimento de quem atuou como vice-presidente da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), entre 2008 e 2010, e diretor do Bank of New York Brasil, sobre o cenário econômico atual, gerenciamento de negócios. E também seu olhar pastoral sobre papel da Igreja em meio a pandemia.

“Toda crise é ruim para quem é grande, mas pode ser muito boa para quem é pequeno”

Paulo Oliveira

Em uma certa ocasião, o senhor disse que o Brasil poderia chegar a ser o centro de negócios do mundo, porém, hoje, vivemos um período difícil, com desempregos e dívidas. O que fazer neste momento de estagnação econômica? Como reverter este quadro?

O Brasil continua sendo o país com maior condição natural de crescimento do mundo. Perdemos uma chance histórica por não conseguirmos aproveitar uma década de crescimento mundial com alta demanda dos produtos que exportávamos, para criar um ciclo de crescimento sustentável. Como país, gastamos o dinheiro em financiamento ao consumo lastreado em crédito, sem criar as condições de infraestrutura que sustentam o consumo lastreado em investimentos. Agora temos uma outra chance. O mundo emerge desta crise com as mesmas necessidades de antes na agricultura e na alocação da liquidez mundial (exacerbada pelos novos programas de estímulo globais), em investimentos de longo prazo. Nossa lição de casa é nos tornarmos atraentes a isso.

Como consultor e com grande experiência em gestão de empresas, como é possível gerenciar os negócios e sobreviver em tempos tão difíceis como o que vivemos atualmente, mantendo o equilíbrio de acordo com as orientações bíblicas?

Eu tenho perguntado às pessoas qual o maior impacto desta crise em sua vida, e a resposta varia entre a crise de saúde (para os infectados), de finanças (para a imensa maioria parada) e de relacionamentos (para todos). Mas o maior impacto pode ser a oportunidade que ela cria. Toda crise é ruim para quem é grande, mas pode ser muito boa para quem é pequeno. Isso porque os pequenos têm menos a perder e mais flexibilidade para mudar. Aconselho cada um a aproveitar o tempo livre aprendendo algo novo (em vez de se entregar ao ócio, que aumenta a tensão nos relacionamentos) e planejando o que fazer com este novo, que pode ser desde um novo papel no emprego, um novo emprego ou até mesmo um novo negócio. Como orientação bíblica, fico com Isaías 43:19: “Eis que estou fazendo algo novo na Terra. Podeis perceber?”. Ou seja, para poder enxergar coisas novas, precisamos deixar o passado de lado

E qual deve ser o papel da Igreja diante disso tudo? Como ser relevante neste tempo?

A Igreja precisa se preparar para o século XXI. No carnaval deste ano, fui convidado a ser um dos palestrantes do Congresso Consciência Cristã, que reuniu 100 mil pessoas em Campina Grande (PB). O tema foi “A Igreja cristã no século XXI”. Precisamos lembrar que a forma de se congregar nunca foi o ponto de definição do “ser Igreja” ao longo da história. Ela começou nas casas e no templo de outra religião em Jerusalém, passou para as casas e catacumbas durante a perseguição romana; para os prédios religiosos pagãos transformados em igrejas depois de Constantino; para as catedrais e Largo da Matriz da Idade Média até hoje. Saiu das casas e foi para os templos. Agora precisamos entender como o equilíbrio entre cultos nos templos e nos sofás acontece com a revolução digital. Assim como a imprensa teve papel fundamental na Reforma Protestante, a tecnologia hoje viabiliza a volta da Igreja às origens.

Neste período de pandemia, as igrejas passaram a transmitir seus cultos online. Será que, pela falta de comunhão presencial, uns com os outros, poderíamos pensar em um esfriamento espiritual?

A tecnologia é neutra, pode atrapalhar ou ajudar. Tudo depende do que fazemos com ela. Com o fim da pandemia e a volta às reuniões presenciais, a Igreja poderá avaliar como utilizar melhor a tecnologia mas, principalmente, como entender seu modelo de Igreja. Depender de cultos e reuniões públicas exclusivamente não é sustentável.

Que mundo podemos visualizar ou esperar pós-pandemia?

A Bíblia é um livro fantástico! Vivo, atual, pessoal… Capaz de nos fazer entender as mais pequenas nuances de nosso espírito, alma e corpo. Em João 16:32-33, Jesus declarou que iria chegar a hora em que seríamos todos dispersos, cada um para sua casa, mas que nEle teríamos paz! No mundo (na mídia, nas declarações de governos, nas brigas de homens), teríamos aflições, mas não deveríamos perder o ânimo! Ele já venceu o sistema. Então eu sugiro que as pessoas gastem menos tempo diante de TV ou notícias de internet e mais tempo diante da Palavra de Deus, meditando nela e vivendo em família. A Boa Notícia já foi anunciada. A questão é: você tem ouvidos para ouvir, olhos para ver e mãos para produzir algo nela? Eu acredito que sim e te espero logo mais adiante da curva do caminho.

Sobre o autor: Paulo Oliveira

Pastor Presidente da Igreja Cristã da Família e atualmente Presidente do Instituto Renovo, Paulo Oliveira é engenheiro formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Foi Presidente da BRAIN – Brasil Investimentos & Negócios desde sua fundação até 2013; Vice Presidente da BM&FBOVESPA até 2010. Além disto, foi Sócio Diretor da ProFinancial/ProBusiness e Diretor de Tesouraria do Bank of New York/Credibanco. Também presidiu por sete anos a Câmara de Ativos Financeiros da BM&F. Foi Vice-Presidente do Comitê de Mercados da Associação Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI) e membro fundador da Câmara para Assuntos de Administração de Risco e membro do Comitê de Análise de Risco da Associação Brasileira de Bancos (ABBC).